One voice leads the exchange as three fellow panellists take it in
06 Oct 2026
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Pestana Palace
Lisboa
Resumo de Lisboa
A etapa de Lisboa do Portugal Investment Forum 2026, realizada no Pestana Palace a 6 de outubro, deu continuidade ao debate nacional. Os painéis discutiram como as famílias e os investidores devem estruturar a sua mudança para Portugal, o que impulsiona o futuro do país e quais as métricas que definirão a próxima década.

Rogério Fernandes Ferreira, da RFF e antigo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, defendeu que a subida do rating da Fitch para A+ é bem-vinda, mas que o que os investidores realmente valorizam é a estabilidade fiscal e a previsibilidade das regras, acrescentando que as políticas de Portugal são, muitas vezes, comunicadas no estrangeiro através de manchetes em vez de factos.

Os especialistas partilharam esta visão e concordaram em mais três pontos. A próxima vaga de capital deve provir do investimento privado e de parcerias público-privadas a nível local, e não de Bruxelas, uma vez que os fundos de recuperação da UE estão a diminuir. A lentidão no licenciamento, nas autorizações e na administração continua a ser o maior entrave ao investimento, sendo a digitalização dos serviços públicos a solução. Além disso, a qualidade de vida, a segurança e o talento são fatores económicos por si só, uma vez que os investidores escolhem agora onde querem viver primeiro e investir depois.

Sobre a estruturação transfronteiriça, Chris Marson da Portugal Pathways, Miguel Cardiga da BDO, Mafalda Cesário do Utmost Group e Henrique Nunes da CMS concordaram que as famílias devem colocar as perguntas certas desde o primeiro dia e procurar aconselhamento holístico e multidisciplinar, pois os erros fiscais, de imigração e de sucessão são difíceis de corrigir. Mafalda Cesário explicou que a lei portuguesa rege a sucessão por defeito, a menos que um testamento disponha em contrário, que a legítima reserva quotas para cônjuges e filhos e que, não sendo os trusts reconhecidos em Portugal, os seguros de vida unit-linked tornaram-se uma ferramenta popular para nomear beneficiários. Alertou ainda para o facto de Portugal não informar os seus cidadãos no estrangeiro de que os regimes fiscais especiais se lhes aplicam, o que alimenta a fuga de cérebros. Henrique Nunes aconselhou paciência com os prazos de imigração e sugeriu que o capital dos vistos Gold seja canalizado para habitação acessível, educação e saúde.

Sobre o que impulsiona o futuro de Portugal, Rajan Sahay da Obrana, presidente da Câmara de Comércio Luso-Indiana, argumentou que as PME representam 99% das empresas portuguesas, mas recebem apenas uma fração dos fundos de recuperação, e que um rating soberano significa pouco para um promotor cujo projeto depende de uma licença municipal ou de uma decisão de uma agência ambiental.

Da esquerda para a direita: Steve Philp, Mafalda Cesário, Henrique Nunes, Miguel Cardiga, Chris Marson

André de Almeida Santos, da Indico Capital, afirmou que o dinheiro público deve atrair capital internacional através da mitigação de riscos e tornar Portugal um país atrativo para o investimento, como demonstraram a Autoeuropa e a Microsoft. Ricardo Assunção, do Amorim Luxury Group, referiu que existe liquidez, mas que é necessário um quadro mais claro para reduzir a burocracia em projetos de longo prazo, como a Comporta, e que a segurança e a qualidade de vida devem ser promovidas como valor da marca. Rajan Sahay alertou para o risco de deixar para trás a economia real fora dos centros de investimento.

Sobre as métricas para os próximos 10 anos, Peter Villax, da Mediceus e Biovance, defendeu que a produtividade portuguesa está 17% abaixo da média da OCDE, que a lacuna reside na gestão e não nos trabalhadores, que estão entre os mais produtivos da Europa quando emigram, e que soluções como a digitalização dos serviços públicos já existem noutros locais e só precisam de ser implementadas. Peter Villax descreveu como a sua família veio para Portugal e construiu uma das empresas de maior sucesso no país, afirmando que a burocracia deve ser simplificada sem reduzir a regulação, uma vez que a tecnologia existe e só falta a vontade política. Acrescentou que Portugal precisa de alguém que conte a sua história internacionalmente e que eventos de classe mundial, como o Portugal Investment Forum, serão essenciais para a divulgar e para unir as pessoas com ação e propósito.

Da esquerda para a direita: Tyler Gordon, Peter Villax, André Rosendo, João Gonçalves

Tyler Gordon, da Tejomed, apontou o envelhecimento da população e o aumento de 44% nas vendas de cuidados de saúde privados desde a Covid como argumentos a favor das ciências da vida, a par da energia limpa e da economia do mar. João Gonçalves, da SBPS, descreveu a mudança do Visto Gold do imobiliário para o capital de risco e fundos especializados, bem como o papel crescente dos vistos D3, Tech, Startup e Nómada Digital na atração de talento. André Rosendo, do Vermilion Group, defendeu que, para reter as pessoas que atrai, Portugal deve ir além da segurança física e financeira para oferecer segurança na saúde e na educação, e que a automatização dos serviços públicos melhoraria a transparência e reduziria a corrupção.

Rogério Fernandes Ferreira destacou como a localização geográfica de Portugal sempre foi uma vantagem, por sermos o ponto mais próximo das Américas, de África e da Europa. Em tempos de incerteza, quando as pessoas procuram mobilidade, segurança e proteção, esta é uma vantagem importante.

Da esquerda para a direita: Rajan Sahay, Ricardo Assunção, André de Almeida Santos, Rogério Fernandes Ferreira

Os especialistas e oradores em Lisboa incluíram um antigo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, um membro do conselho de administração do mais prestigiado grupo e marca de luxo de Portugal, um empresário de moda português, uma empresa de capital de risco, um banqueiro privado, promotores imobiliários, advogados especializados em fiscalidade, imigração e clientes privados, um grupo global de seguros de vida, um empresário de biotecnologia, fundadores das áreas da saúde e tecnologia e consultores de gestão de património.

O Portugal Investment Forum foi organizado e acolhido pelaPortugal Pathwayse peloPortugal Investment Owners Club.

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