
Rogério Fernandes Ferreira, da RFF e antigo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, defendeu que a subida do rating da Fitch para A+ é bem-vinda, mas que o que os investidores realmente valorizam é a estabilidade fiscal e a previsibilidade das regras, acrescentando que as políticas de Portugal são, muitas vezes, comunicadas no estrangeiro através de manchetes em vez de factos.
Os especialistas partilharam esta visão e concordaram em mais três pontos. A próxima vaga de capital deve provir do investimento privado e de parcerias público-privadas a nível local, e não de Bruxelas, uma vez que os fundos de recuperação da UE estão a diminuir. A lentidão no licenciamento, nas autorizações e na administração continua a ser o maior entrave ao investimento, sendo a digitalização dos serviços públicos a solução. Além disso, a qualidade de vida, a segurança e o talento são fatores económicos por si só, uma vez que os investidores escolhem agora onde querem viver primeiro e investir depois.
Sobre a estruturação transfronteiriça, Chris Marson da Portugal Pathways, Miguel Cardiga da BDO, Mafalda Cesário do Utmost Group e Henrique Nunes da CMS concordaram que as famílias devem colocar as perguntas certas desde o primeiro dia e procurar aconselhamento holístico e multidisciplinar, pois os erros fiscais, de imigração e de sucessão são difíceis de corrigir. Mafalda Cesário explicou que a lei portuguesa rege a sucessão por defeito, a menos que um testamento disponha em contrário, que a legítima reserva quotas para cônjuges e filhos e que, não sendo os trusts reconhecidos em Portugal, os seguros de vida unit-linked tornaram-se uma ferramenta popular para nomear beneficiários. Alertou ainda para o facto de Portugal não informar os seus cidadãos no estrangeiro de que os regimes fiscais especiais se lhes aplicam, o que alimenta a fuga de cérebros. Henrique Nunes aconselhou paciência com os prazos de imigração e sugeriu que o capital dos vistos Gold seja canalizado para habitação acessível, educação e saúde.
Sobre o que impulsiona o futuro de Portugal, Rajan Sahay da Obrana, presidente da Câmara de Comércio Luso-Indiana, argumentou que as PME representam 99% das empresas portuguesas, mas recebem apenas uma fração dos fundos de recuperação, e que um rating soberano significa pouco para um promotor cujo projeto depende de uma licença municipal ou de uma decisão de uma agência ambiental.

André de Almeida Santos, da Indico Capital, afirmou que o dinheiro público deve atrair capital internacional através da mitigação de riscos e tornar Portugal um país atrativo para o investimento, como demonstraram a Autoeuropa e a Microsoft. Ricardo Assunção, do Amorim Luxury Group, referiu que existe liquidez, mas que é necessário um quadro mais claro para reduzir a burocracia em projetos de longo prazo, como a Comporta, e que a segurança e a qualidade de vida devem ser promovidas como valor da marca. Rajan Sahay alertou para o risco de deixar para trás a economia real fora dos centros de investimento.
Sobre as métricas para os próximos 10 anos, Peter Villax, da Mediceus e Biovance, defendeu que a produtividade portuguesa está 17% abaixo da média da OCDE, que a lacuna reside na gestão e não nos trabalhadores, que estão entre os mais produtivos da Europa quando emigram, e que soluções como a digitalização dos serviços públicos já existem noutros locais e só precisam de ser implementadas. Peter Villax descreveu como a sua família veio para Portugal e construiu uma das empresas de maior sucesso no país, afirmando que a burocracia deve ser simplificada sem reduzir a regulação, uma vez que a tecnologia existe e só falta a vontade política. Acrescentou que Portugal precisa de alguém que conte a sua história internacionalmente e que eventos de classe mundial, como o Portugal Investment Forum, serão essenciais para a divulgar e para unir as pessoas com ação e propósito.

Tyler Gordon, da Tejomed, apontou o envelhecimento da população e o aumento de 44% nas vendas de cuidados de saúde privados desde a Covid como argumentos a favor das ciências da vida, a par da energia limpa e da economia do mar. João Gonçalves, da SBPS, descreveu a mudança do Visto Gold do imobiliário para o capital de risco e fundos especializados, bem como o papel crescente dos vistos D3, Tech, Startup e Nómada Digital na atração de talento. André Rosendo, do Vermilion Group, defendeu que, para reter as pessoas que atrai, Portugal deve ir além da segurança física e financeira para oferecer segurança na saúde e na educação, e que a automatização dos serviços públicos melhoraria a transparência e reduziria a corrupção.
Rogério Fernandes Ferreira destacou como a localização geográfica de Portugal sempre foi uma vantagem, por sermos o ponto mais próximo das Américas, de África e da Europa. Em tempos de incerteza, quando as pessoas procuram mobilidade, segurança e proteção, esta é uma vantagem importante.

Os especialistas e oradores em Lisboa incluíram um antigo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, um membro do conselho de administração do mais prestigiado grupo e marca de luxo de Portugal, um empresário de moda português, uma empresa de capital de risco, um banqueiro privado, promotores imobiliários, advogados especializados em fiscalidade, imigração e clientes privados, um grupo global de seguros de vida, um empresário de biotecnologia, fundadores das áreas da saúde e tecnologia e consultores de gestão de património.
O Portugal Investment Forum foi organizado e acolhido pelaPortugal Pathwayse peloPortugal Investment Owners Club.

